Dia 21 de Setembro de 2026
Véspera de primavera, um dia de música disco.
É interessante o quanto nos perdemos durante o dia.
O piloto automático simplesmente assume o volante e você vai pro banco do passageiro, esquece de checar a hora, quantos km foram rodados.
Quando você percebe que perdeu o volante, já se passou muito tempo, e coisas que podiam ter sido feitas com mais cuidado e esmero não foram.
Ao mesmo tempo em que luto para me manter no presente, luto contra a minha antiga eu, que queria ser tudo menos a si mesma, a eu que preferia agradar ao invés de pensar em si.
Hoje, mais do que nunca, preciso pensar nos outros mais do que em mim, pelo menos por 2 pessoas em específico (meu menino de 6 e minha menina de 1), mas não é pra sempre.
E, mais do que pensar neles, preciso validar uma coisa muito esquecida e desvalorizada por todos: a minha intuição.
Eu tô pra fazer um texto sobre intuição, já faz mais de 1 mês, se bobear, até mais tempo.
O problema é justamente aquilo que falei no primeiro parágrafo: você começa presente e, de repente, “ôpa, o que aconteceu com o meu dia?!”
Não sei você, mas eu sou de uma geração de famílias em que os pais foram extremamente frustrados em relação aos pais (avós), então acabamos sendo filhos de uma geração superdisfuncional.
Nossos pais ainda presos na infância, e vejo isso nos meus pais até hoje.
A necessidade de aprovação alheia, a necessidade de agradar, ouvir o não dói menos do que falar o não.
Isso, pra mim, é extremamente frustrante.
Explica absolutamente tudo o que tem acontecido comigo e o meu marido.
Estamos em uma jornada ao nosso subconsciente, integração ao ego e destruição do Eu que se prende ao passado.
Por isso tenho tido tanta dificuldade em escrever, porque a minha eu de hoje quer voltar a ser conectada consigo, enquanto a outra quer o bem-estar de todos a todo custo, mesmo que custe sua felicidade.
Mas, como eu já disse, não posso continuar sendo ela e ser uma boa mãe.
Para ser uma boa mãe, aquela que meus filhos vão querer por perto quando estiverem mais velhos, aquela a quem eles vão contar tudo, inclusive os medos e inseguranças, primeiro preciso me validar como pessoa.
Saiba que isso é bem mais difícil do que parece.
É muito fácil cair no papel de vítima, muito mesmo.
“Ah, mas se meus pais não isso”, “se as pessoas aquilo”, eu não seria o desastre que sou hoje.
Meu bem, sair disso significa fazer 2 coisas.
1° Confirmar e afirmar que sim, tudo de ruim que aconteceu com você é válido.
Sim, você sofreu abusos (me refiro a todos os tipos, não só ao que veio na sua mente).
Aí é que entra o mais difícil deles.
2° Isso não me define como pessoa.
Sim, existiu uma dor.
Sim, houve sofrimento.
Mas agora eu escolho não sofrer mais, eu escolho ser maior e não vou deixar isso me definir como alguém.
Só depois disso você vai conseguir olhar para a sua criança interior, bem nos olhos, e dizer:
“eu tô aqui, pode contar comigo, eu sou o adulto que você precisa e não vou mais deixar você nesse quarto escuro e bagunçado com o passado. De agora em diante, você vai andar de mãos dadas comigo”.
Repare, em nenhum momento eu disse que saí do quarto.
Isso é um processo, longo e doloroso.
Não é sofrimento, é doloroso.
Se você não sabe a diferença, volta pro passo 1°.
Depois disso vem o mais importante de tudo: voltar a construir sua autoconfiança.
De novo, isso é um processo e demora quanto tempo você precisar que leve.
Tá, mas como eu construo a autoconfiança?
Tem 2 coisas que precisam ser feitas, e aí vai de cada um saber seus limites.
1° Se comprometa com a verdade.
Se você falou que vai fazer, faça!
Haaaaaa, mas assim é óbvio!
Ué, então por que você não faz?
Porque você fala para si mesma que começa amanhã e esse amanhã nunca chega?
A confiança é construída por ações e não palavras vazias.
Se você desconfia de alguém que mente para você, por que para si seria diferente?
E não me venha com essa de racionalizar as coisas.
Você sabe que confiança se constrói.
Já o 2° passo depende muuuuuuuuuuito dos outros 2 primeiros.
Você não pode se colocar em dúvida, você precisa validar a sua intuição.
Vai por mim, isso é bem mais difícil do que parece.
Principalmente porque a maioria das pessoas à sua volta vai questionar o que você intui, por ser SUA intuição e não a deles, e isso é o “normal/esperado”.
Cabe a VOCÊ se validar e não os outros.
E aí tá o pulo do gato.
Eu sinto que as nossas mães tiveram sua intuição calada pela experiência de vida das nossas avós e bisavós.
“Você tem que fazer isso desse jeito porque é melhor assim.”
“Faz como eu tô mandando porque eu sei o que estou falando.”
Talvez realmente soubessem.
Talvez, para a época delas, na realidade delas.
Mas não é à toa que as coisas mudam, os tempos passam e o ser humano aprende e evolui.
Mas, por conta desses comentários e “cuidados”, nossas mães perderam a confiança em si mesmas, a autoestima e sua intuição.
Foram jogadas no mundo do trabalho sem preparo emocional e nós, filhos, pagamos o preço.
Por isso é tão importante validar a si e tudo o que passou, mas o mais importante é sair do passado e estar no presente.
E pra isso é preciso muita coragem e aguentar a dor sem passar ela adiante.
Construir uma intuição forte é extremamente importante para ser uma boa mãe, porque, no fim, se você não escutar a si mesma, vai encarar as consequências das escolhas dos outros nos SEUS filhos.
Você vai perder o sono e se martirizar com a culpa do sofrimento dos seus filhos.
Que, vai por mim, é beeeeeem pior do que ficar doente de cama kkkkkkkkk.
Então, se você realmente quer quebrar o ciclo de trauma, de sofrimento e arrependimento:
Valide seus traumas.
Não se coloque como vítima.
Assuma a responsabilidade pela sua vida (tanto a emocional quanto a física).
Valide a sua intuição.
Só assim você vai conseguir ser uma boa mãe.
Significa que você não vai errar?
Claro que vai.
Eu erro o tempo todo kkkkkkkkkkk.
Mas eu não sofro pelo meu erro, eu assumo que errei e, principalmente, não repito o mesmo erro.
O sofrimento e o arrependimento são os sentimentos mais perigosos que existem na maternidade, porque eles se disfarçam de cuidado, de zelo, de “carinho excessivo”.
E muita gente, inclusive, aplaude esse tipo de comportamento.
Um dia, no futuro, esses sentimentos têm um preço caro demais.
Filhos que não sabem ser adultos.
Isso, pra mim, é a maior das confirmações de que uma mãe falhou com seus filhos.
Adultos que não sabem assumir responsabilidades, assumir as consequências de suas ações e escolhas.
Não sabem ponderar opções e, principalmente, bancar essas decisões.
Isso, pra mim, é a definição de falhar como mãe.
Por isso eu assumi meu passado, meus traumas, minhas escolhas e suas consequências.
Agora, mais do que nunca, sou responsável por mim e pela minha felicidade, mas, principalmente, responsável por não tornar a minha felicidade um fardo para os meus filhos.
E pra isso eu tenho a minha intuição.
Espero que esse texto tenha te ajudado de alguma forma.
Se não, bom, talvez você precise ler de novo.
Até o próximo post.
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