O lugar da mulher sempre foi apenas em casa?

Fonte: Gemini

Eu me peguei questionando isso esses dias, principalmente porque cresci em uma casa onde eu me sentia um fardo, onde as tarefas domésticas pareciam um fardo e, até pouco tempo atrás, eu ainda tratava tudo dessa forma.

Mas, dependendo de como a gente olha para a história, parece que a mulher sempre esteve destinada exclusivamente à casa, aos filhos e ao marido.

Fonte: Google imagens



Mas será que foi realmente assim?

Quando a gente começa a estudar um pouco mais, percebe que não.

Mulheres sempre fizeram muitas coisas diferentes. Trabalharam, produziram, ajudaram no sustento da família, cuidaram dos filhos, administraram propriedades, venderam produtos, ensinaram, empreenderam, participaram da vida da comunidade…

A imagem da mulher exclusivamente dentro de casa, sem nenhuma outra atividade, é muito mais específica de determinados períodos e contextos do que uma regra universal de toda a história.

E eu acho isso importante porque existe uma diferença enorme entre dizer:

“Mulher só serve para ficar em casa.”

e dizer:

“Existe beleza e propósito em uma mulher escolher dedicar uma fase da vida à sua casa e à sua família.”

São coisas completamente diferentes.

Porque, pra mim, o problema começa quando a gente transforma a casa em uma espécie de prisão.

Como se estar em casa significasse não produzir nada.

Como se cuidar dos filhos fosse estar “parada”.

Como se administrar uma família fosse uma coisa menor.

E aqui eu quero fazer uma distinção que, pra mim, é muito importante.

Eu não quero olhar para a maternidade e para a casa simplesmente como um “trabalho”.

Porque trabalho, no sentido de emprego, tem começo, contrato, função, remuneração, férias, aposentadoria…

Nós sabemos, por experiência própria — seja nossa, seja das nossas mães e matriarcas — que isso não existe quando se trata da maternidade. Não existe preço que pague o que fazemos.

Eu me recuso a passar anos dizendo que “trabalho em casa”, porque isso reduziria muito o significado e o peso da importância da maternidade.

Porque eles vão crescer.

Essa é uma das maiores verdades da maternidade.

O bebê vira criança.

A criança vira adolescente.

O adolescente vira adulto.

Fonte: Gemini



E, em algum momento, aquela criança que precisava de mim pra absolutamente tudo vai sair pela porta e construir a própria vida.

E aí?

O que sobra?

Se eu construí toda a minha identidade em cima daquilo que eu fazia pelos meus filhos, o que acontece quando eles não precisam mais de mim da mesma maneira?

Por isso, a palavra certa não é trabalho, mas legado.

Porque eu não estou apenas fazendo coisas dentro de casa.

Eu estou construindo.

Estou formando pessoas.

Estou ensinando valores.

Estou criando memórias.

Estou estabelecendo uma cultura, uma tradição e um senso de pertencimento dentro da minha família.

Estou ensinando meus filhos a amar, a respeitar, a servir, a trabalhar, a lidar com frustrações e a assumir responsabilidades. Estou ensinando-os a serem adultos funcionais e necessários no mundo.

Estou deixando marcas que eles vão carregar por toda a vida.

E isso é muito maior do que simplesmente cumprir tarefas.

A casa pode e deve ser um lar: lugar de propósito, pertencimento, validação, amor incondicional e muito aconchego.

A maternidade pode ser uma fase de propósito. Porque é o “trabalho” mais difícil do mundo e, ao mesmo tempo, o mais importante.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das coisas mais bonitas da mulher.

Ela consegue pegar aquilo que parece pequeno e transformar em algo que permanece, pertence, transforma, cresce, se desenvolve e evolui.

Um almoço pode virar memória.

Uma conversa pode mudar uma vida.

Um conselho pode acompanhar um filho por décadas.

Uma rotina aparentemente simples pode formar o caráter de uma pessoa.

E, quando eu penso nisso, lembro muito da mulher descrita em Provérbios 31.

Ela não me parece uma mulher sem iniciativa.

Muito pelo contrário.

Ela cuida da casa, administra, negocia, produz, compra, vende, planta, ensina, fala com sabedoria, ajuda os necessitados e é respeitada pela sua família.

Ela edifica.

E talvez essa seja uma palavra de que eu goste muito mais do que “trabalhar”.

Edificar.

“A mulher sábia edifica a sua casa…” (Provérbios 14:1)

Fonte: x.com



Olha que interessante.

Não diz que ela simplesmente “mantém” a casa.

Diz que ela edifica.

E edificar é construir algo que permanece.

É colocar uma coisa sobre a outra até que aquilo se torne maior do que você.

E eu vejo e sinto uma beleza enorme nisso.

A mulher não precisa enxergar a casa como o limite da sua existência. A casa precisa ser o lugar seguro onde ela transforma e transborda.

A casa pode ser o primeiro lugar onde ela aprende a edificar.

Mas isso também não significa que ela precise passar o resto da vida fazendo exatamente as mesmas coisas.

Porque a maternidade muda.

E a mulher também muda.

Quando os filhos são pequenos, a demanda é enorme. Estar em casa nessa fase precisa ser uma escolha consciente, para colocar grande parte da sua energia ali, sem culpa e sem remorso. Porque é aí que ela precisa estar; é justamente isso que ela precisa viver naquele momento.

Mas, como tudo na vida, os filhos crescem.

E aquilo que antes ocupava quase todo o tempo começa a ocupar cada vez menos.

E eu acho muito importante uma mulher se preparar emocionalmente para isso.

Porque ela não deixa de ser mãe.

Mas ela deixa de ser necessária da mesma maneira. Aprender a se adaptar às fases dos filhos é extremamente importante, mas isso é assunto para outro post.

Fonte: Gemini



Deixar de ser necessária pode doer, mas é a ordem natural das coisas e precisa acontecer. Se a maternidade em questão não for assim, se a situação não for saudável, muitas coisas ruins podem surgir disso.

Pode existir um vazio.

Pode surgir aquela pergunta:

“E agora?”

Quem eu sou além da função que exerço dentro da minha casa?

O que eu gosto?

O que eu quero aprender?

Quais sonhos eu deixei de lado?

O que Deus colocou nas minhas mãos?

O que ainda posso construir?

Que legado ainda posso deixar?

Porque eu não quero chegar aos 50 anos e descobrir que, quando meus filhos cresceram, eu também deixei de existir.

Eu quero olhar para trás e pensar:

Eu fui mãe.

Eu cuidei.

Eu amei.

Eu eduquei.

Eu edifiquei minha casa.

Eu deixei um legado.

Mas eu também quero poder dizer:

Eu continuei sendo mulher.

Continuei aprendendo.

Continuei crescendo.

Continuei tendo curiosidade.

Continuei sonhando.

Continuei construindo.

Porque meus filhos não nasceram para precisar de mim para sempre.

Na verdade, parte da minha missão como mãe é justamente prepará-los para que um dia eles consigam caminhar sem mim.

E quando esse dia chegar, eu não quero sentir que fui “demitida” da maternidade.

Quero entender que uma fase terminou.

E que outra começou.

Talvez esse seja um dos grandes problemas quando a gente transforma qualquer papel da nossa vida na nossa identidade inteira.

A gente confunde quem é com o que faz.

Eu sou mãe.

Mas eu não sou somente mãe.

Eu sou mulher.

E existe uma vida inteira dentro dessa mulher.

Existem dons.

Existe inteligência.

Existe criatividade.

Existe desejo de aprender.

Existe capacidade de construir.

Existe propósito.

E isso não diminui a maternidade.

Pelo contrário.

Pra mim, torna a maternidade ainda mais bonita.

Porque eu não estou criando filhos para permanecerem eternamente dentro da minha casa.

Estou criando pessoas que um dia vão sair dela.

E, quando eles saírem, eu quero olhar para aquilo que construí e reconhecer que valeu a pena.

Quero enxergar o legado.

Quero enxergar os valores.

Quero enxergar as pessoas que eles se tornaram.

Mas, para não ter esse momento do “ninho vazio”, eu me vi fazendo essa pergunta antes da hora. Foi quando eu me voltei para Deus e perguntei o que fazer, acendi uma vela para o meu anjo da guarda e tomei um banho de ervas de boldo e manga.

No dia seguinte, me lembrei de uma pergunta que a minha astróloga perguntou:

“O que você faria até de graça?”

Fonte:Gemini



Escrever, sem dúvidas, eu faria até de graça. Eu amo muito isso: tentar explicar ideias, trazer elas para a realidade com palavras, significados, explicações e mostrar ou explicar contradições, como esse texto que você está lendo.

Quero olhar para mim mesma e perguntar:

“Agora, o que Deus colocou nas minhas mãos para eu edificar?”

Porque a casa nunca foi o limite para a mulher.

Talvez a grande questão nunca tenha sido:

“A mulher deve ficar em casa?”

Mas sim:

“O que essa mulher está construindo com a vida que recebeu?”

E isso pode assumir formas diferentes em diferentes fases da vida.

Pode ser uma família.

Pode ser uma profissão.

Pode ser um projeto.

Pode ser um negócio.

Pode ser um ministério.

Pode ser uma obra.

Pode ser uma comunidade.

Pode ser qualquer coisa que carregue aquilo que ela tem de melhor, ou pior.

Porque uma mulher não precisa escolher entre ser alguém e edificar uma família.

Pode existir uma fase em que a família seja o centro.

Pode existir outra em que os filhos já estejam crescidos e ela tenha mais tempo para outras coisas.

E uma fase não anula a outra.

Uma não torna a outra menos importante.

A maternidade é para a vida toda, mas a forma de maternar muda.

A infância dos filhos passa.

A adolescência passa.

A dependência passa.

E a mulher continua.

E eu acho bonito pensar nisso.

Eu espero que esse post tenha te ajudado de alguma forma. Se você está passando por esse momento do “ninho vazio”, pergunte:

“O que eu faria de graça?”

Manda a resposta para o ChatGPT ou a IA que você mais gosta e pergunta como começar.

revistacrescer.globo.com



Ou, se você está na fase família, abraça, abraça muito, beija muito, esteja presente, ame cada processo, porque passa. Essa fase vai embora, e, se você não aproveitar, eu te garanto que o fantasma do arrependimento aparece, acompanhado da culpa.

Se você quer aprender ou ler sobre maternidade sem culpa, dá uma olhada no artigo Recuperando a Minha Intuição.

Beijos e até o próximo post.

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